Gastronomia

As receitas e os pratos mais representativos desta região estão essencialmente ligados à tradição da matança do porco, a qual se realizava uma vez por ano, pelo que se tornava necessário conservar todas as partes do mesmo, ainda se confeccionam hoje em algumas casas particulares algumas destas receitas aquando da matança do porco o que acontece cada vez mais, com menor frequência.
 
A Matança do Porco, era uma festa que reunia toda a família, era feita durante os meses frios de Dezembro, Janeiro ou Fevereiro. As carnes punham-se na salgadeira para consumo do ano inteiro.
 
Conservavam-se assim as carnes gordas, as febras e os presuntos.
 
Nos dias da matança, faziam-se os esturros com pouca febra, aproveitando-se assim para fazer a banha que substituía o azeite no tempero; os bolos, uns sem gordura outros com gordura (merendeiras); as morcelas e as chouriças.
 
Os bolos eram feitos com o sangue e temperados com sal, cominhos e canela; as morcelas eram feitas com o sangue, farinha de milho e temperadas com sal.
As chouriças eram feitas com febra e gordura e temperavam-se com vinho tinto, alho e sal, ficando assim uns três dias, após os quais se enchiam e iam para o fumeiro, a tripa que se usava para as chouriças era a mais fina, a mais grossa era usada para as morcelas.
 
Durante a matança, pouco se comia do porco, era costume matar um carneiro e galinhas para se comer nessa altura, só no segundo dia é que se comia um “Tachado de Bifes”, como se costumava dizer, este tachado eram febras grelhadas ou cozidas acompanhadas com batata ou arroz, também havia quem fritasse a morcela.
 
Esturros ou Torresmos: coloca-se numa caçarola, uma mão cheia de sal, um pouco de banha e água onde o sal se desfaz, juntam-se as gorduras e carnes com e sem gordura, e deixa-se ferver em lume brando, para derreter as gorduras. As carnes assim cozinhadas eram antigamente assim conservadas numa parte da banha e retiradas à medida que se consumiam, depois de previamente aquecidas. Morcelas de Sangue ou Muado: escalda-se a farinha de milho e adiciona-se o sangue, as gorduras retiradas das tripas do porco, canela e sal a gosto, depois enchem-se as tripas previamente muito bem lavadas, com esta mistura.
 
Bolos ou Tortachos: para os simples, escaldam-se em primeiro lugar, as farinhas de trigo e de milho, junta-se o sangue, tempera-se com cominhos, canela (obrigatória), e cravinho (facultativo), amassando muito bem como se faz com a broa. Há também os que, apesar de cozinhados mediante um processo idêntico, levam um pouco de gordura, igualmente das tripas do porco, e fazem-se um pouco mais alongados, para se distinguirem dos outros. Ambos podem comer-se frios ou partidos em fatias e aquecidos nas brasas.
 
Cacholeira: a cachola (fígado) é cozida, cortada em pedaços e guisada com a gordura das tripas do porco, conservava-se habitualmente num tacho de barro, coberta com a gordura, consumia-se acompanhada com batata cozida.
 
Sarrabulho: faz-se um refogado com cebola, alho, louro, cravinho e febra cortada aos pedaços, junta-se depois a cachola, previamente cozida e cortada em pedacinhos mais o sangue já cozido e desfeito, acompanha-se com batata cozida com a pele.