Artesanato

Na freguesia de Carriço permanece ainda viva a arte da cestaria, que nasceu para colmatar a necessidade de utensílios que facilitassem e optimizassem os duros trabalhos agrícolas.
 
Os vimes e as canas, materiais utilizados na confecção dos cestos, também serviam para empalhar garrafões, constituindo uma protecção suplementar para o seu conteúdo.
Para os cestos o vime utilizado depende do tipo de cesto, quanto maior for o cesto mais grosso terá que ser o vime, para empalhar garrafões utilizava-se o vime fino.
O vime era cortado em Janeiro, limpo e deixava-se secar. Não se podia dobrar o vime em verde, não que se desmanchasse ao trabalhar, mas perdia a segurança.
Deveria então ficar 15 dias em água para ficar mais macio, senão ao ser trabalhado partia--se.
 
Às vezes para os cestos de arco, quando não se tinha vime fazia-se com canas, mas o fundo e o armamento teriam que ser sempre em vime. Os garrafões podiam ser empalhados com Verga maciça ou Verga Branca (vime descascado), descascar a verga era um trabalho muito exaustivo, para se obter um bom resultado tem que se a apanhar em crescimento por vezes parte-se toda e depois de estar vingada já não se consegue descascar.
 
Por isso quando era necessário usar a Verga Branca, abria-se a verga ao meio e virava-se a casca para dentro, não chegando esta a ser descascada, contudo a armação e o fundo eram sempre feitos em Verga Maciça porque a branca tinha pouca resistência.
 
Para trabalhar o vime usava-se a Tesoura de Podar, para cortar e limpar; a Navalha para limpar; o Sevelão para enfiar a verga no acabamento do cesto; o Pião — um bocado de madeira cortado dos dois lados para rasgar a verga e de forma a fazer de um lado três vergas e do outro quatro; um Pau, para bater os cestos depois de prontos para a verga ficar bem batida.